terça-feira, 5 de maio de 2009

Rotina Nordestina


Lá vai a Maria descendo, lá vai.
Levando no colo o menino, lá vai .
Chorando a dor da partida de alguém
Lá vai a menina, lá vai a Maria.
Desceu pela encosta da barra
Subiu na ladeira de escada
Maria menina, que sonha em chegar...
Chegando ela vai cantar.
Cheguei
Aqui eu vou ficar
Cheguei e lutei para amar
Matei
A saudade de lá
Lá vai o João descendo, lá vai.
Com seus pés no chão, lá vai.
Cantando a canção da lavoura.
Lá vai o menino, lá vai o João.
Desceu por detrás do barraco de alguém.
Desceu e subiu num vai e vem
João menino, que sonha em casar.
Casando ele vai cantar
Casei com ela
Casei
Aqui vou morar com ela
Vou morar e fazer feliz
Maria, meu filho e eu
Lá vai descendo João e Maria
Lá vem correndo o Joãozinho
A cria
De João e Maria
Que descem seguindo a estrela-guia.


Léo Sarmento

Dizendo


Quando pensamos que as flores já secaram suas raízes e perderam os seus mais suaves perfumes, começam a cair pequenas gotas de chuva e a vida volta com tamanha força;
Quando menos esperamos surge à nossa frente seres tão especiais, alguns com o objetivo de nos ajudar a buscar a felicidade, outros com a felicidade no olhar e no falar;
Quando tudo parece parado no tempo, a órbita do coração inicia uma nova ronda pelo mundo dos sentimentos;
Quando a alegria parece esquecida, uma nova luz no palco pede o início do show e a comédia da vida passa a receber aplausos sinceros;
Quando a paz se desfaz em desespero e a esperança sucumbe no árido deserto, um oásis de sonhos esquecidos renasce vibrante;
Quando a vida parece cansada e insatisfeita, vêm do coração melodias suaves de um coro em plenitude;
Quando os amigos se tornam escassos e o medo toma conta do espaço, um verdadeiro amor pode mudar o retrato familiar;
Quando os seus estão longe e as notícias demoram a chegar, um ser sincero pode levá-lo aos sonhos infantis de outrora;
Quando começamos a chorar por medo do mundo, aparece no caminho uma luz que ajuda a escandear os males à nossa frente;
Quando a paixão desmorona e o mundo parece fazer parceria com ela, heroicamente um sentimento maior ultrapassa a situação;
Quando estava sem ninguém para dividir sonhos, apareceu você... não do nada, mas com tudo para me levar ao mundo já quase esquecido...
Hoje, a poesia faz parte do sonho e a minha inspiração é sonhar com você...
Quando tudo pareceu escurecer, veio você com a luz forte do seu sorriso e trouxe para mim a alegria de viver...
Sou feliz por tudo isso!!!


Léo Sarmento

Carta de amor


Manhã quente de sol, com nuvens brancas num firmamento mineiro...

Espero que estejas bem, eu estou em paz, amando cada vez mais a vida e as boas coisas que ela me dá a cada dia que surge. As coisas são tão bem feitas por Deus para nós que às vezes penso que jamais vamos sofrer na vida, pois tudo acontece de maneira tão certa e ao mesmo tempo inesperada que chego a acreditar que a nossa vida é simplesmente um passe de mágica e que os mágicos vêm e vão como se ainda tivessem muitos a se apresentar.
Vivo, ou melhor, estou vivendo esses momentos de pura magia, magos, fadas, gnomos, coisinhas pequenas com potencial grande, fantasias e porque não dizer, sonhos e sonhos, que a qualquer momento se tornarão realidade... minha vida é esse eterno deslumbramento, onde o que passou de bom, continua vivo e o que virá é aguardado com ansiedade múltipla. Existem flores por onde passo e cotovias barulhentas retinem harmonicamente o meu lugar, a paz está em volta entre as pessoas que passam, porque a paz delas depende agora de mim e eu quero ser cada gota de orvalho que desce ao calor do sol matinal pelo dorso das folhas verdes de plantas alegres e virgens... Ouço... ouço... porém os toques de trombetas são ilusórios, mas o som do coração é verdadeiro e real... as vozes que ouço a me chamar, não vêm de várias gargantas, mas de uma só língua. Ouço o seu chamado e nem mesmo o canto harmônico das cotovias chega a escondê-lo de meus ouvidos, sua voz surge sobrepondo tudo e todos, sua voz é a mais bela canção, é a mais bela obra da ópera da vida, da minha vida. Misturei aqui, sonhos, fantasias, reflexões, medos, pessoas e animais, música e som, coração e palavra somente para lhe dizer o quanto o seu carinho está me fazendo bem.
Lembrar de você e de nós dois é a melhor leitura que faço durante o meu dia inteiro. Não há nada melhor a fazer do que pensar na pessoa “amada”. Sei o quanto é difícil viver há quilômetros de distância de quem gostaríamos de estar coladinho, rosto com rosto, pele com pele, olho com olho, mas sei também que existe o coração que é forte e que não precisa estar juntinho do outro para que estejam ligados por um sentimento forte. Acredito também na força do pensamento e pensar em você é hoje o mesmo que estar com você. No entanto, preciso voltar no tempo e ouvir e ver você.
Preciso voltar à página e fazer de novo a leitura dos seus traços, do seu rosto, do seu sorriso... preciso chamar você para passear de novo. Preciso sofrer mais um pouco para não correr o risco de perdê-lo. Preciso lembrar de mim, pois fico o dia inteiro pensando em você.
Preciso ouvir sua voz para calar a minha a te chamar. Preciso de gente por perto para não enlouquecer na solidão da espera. Preciso te buscar logo, senão o tempo passa e eu fico.
Preciso de você, só isso, nada mais... pareço poeta, mas... Será que sou mesmo poeta, ou apenas um homem apaixonado? Dizem que os poetas são eternos amantes, então sou... sou poeta e amante, apaixonado e carente, objeto e desejo... sou saudade e covardia, beleza e luxúria, carinho e verso... sou a luz e o sopro, sou a vida feliz de uma flor, sou a sede e a própria água, sou a chuva e o medo... sou moleque travesso, sou inseto discreto, sou a paz, sou o amor... porém, sou homem menino, sou homem e animal... Mas o que quero mesmo é apenas ser seu, todo seu, para sempre... Olha, gostaria de olhar nos teus olhos e dizer tudo isso que acabei de dizer para você, sei que esse dia chegará logo, o dia no qual deixarei meus olhos e meu coração falar tudo o que sinto e o meu corpo comprovará tudo isso, tenha certeza...
Sonho com você e acabo acordando quando você chega... vem logo...


Léo Sarmento

Sozinhos


Parecia chuva de verão, mas já era outono
As folhas caíam como gotas de chuva em mar calmo
A noite caía leve como um lenço escuro de viúva
E a saudade tua completava esse cenário
Onde andas?
Quem será que guia tuas mãos neste momento?
Por que não passas por aqui?
Vem sentir a chagas da brisa noturna
Vem logo, pois a última folha estar por cair.
Sozinho estou sem companhia humana
Estás aí também
Sozinhos ficaremos por toda a estação?
Ou terás a mesma coragem de vir
Como a última folha que acaba de chegar em minhas mãos?
Sozinhos, por quê?


Léo Sarmento

Vontades


Sinto uma imensa vontade de senti o ardor das águas salgadas em minha pele
Sinto fome de viver ao seu lado em todos os momentos de nossa vida
Sinto uma intensa alegria somente em pensar em você ao meu lado por longas tardes de pôr-do-sol.
Sinto tanto por não saber o que está fazendo agora, que minha vontade é de voar até você
Sinto o desejo de correr por longas estradas somente para acariciar seu rosto antes do vento forte de início da primavera
Sinto vontades de chamar sempre por você, para Ter sua presença sempre.
Sinto ânimos e desânimos unidos pelas certeza da distância e clareza de sentimentos
Sinto muito, uma vontade de amar você eternamente.


Léo Sarmento

Nossa juventude


Sorrisos refletem em meu olhar
Em vão passam jovens embriagados
Que não sabem para onde devem ir
E que sonham nas sombras da noite fria
O prazer de consumir a própria vida
Lágrimas descem sobre a teia humana
Em plena loucura navegam sorrisos
Nervosas e chocantes são as dores do medo
E as próprias setas da prisão imunda
Camuflam os sorrisos em meu olhar
Chamas de fogo ardem em meus lábios
Que clamam por notícias boas da juventude
Mesmo sem saber o que fazer por ela
Eu procuro na lágrima e no sorriso
A dor que ainda reflete em meu olhar
Toda vez que eu chamo por ela
Tenta em demorar a chegar
Somente porque ainda espelha
Nos olhos do mundo a juventude
Que busca no nada a vontade de chegar.


Léo Sarmento

Estas terras


Envolve este lugar um silêncio profundo
Somente a lembrança das minúsculas ondas do rio Munim reacende o barulho do mar e a saudade emana forte e nítida
Terra sem água, porém fria e úmida
Terra sem sombra de dúvidas, nem dúvidas sombrias
Terra quente, terra sofrida, terra de gente que ama.
Minas de meninas
Meninas das minas
Sol que nasce por trás do monte,
que fica quadrado atrás das pontes
rio que não tem braços, rio de um braço só
gente que dorme nas ruas e gente que vive das ruas
preto, vermelho... cores simbólicas, cores de gente
índio, negro, branco, marrom...
minas gerais... terra que me faz sentir saudades da minha...


Léo Sarmento

Reflexando


Como poderia eu viver
Sem um ombro amigo para descansar?
Como seria a vida sem sorrisos
De amigos como os que tenho agora?
Mesmo incrédulo sobre o amor
Acredito na esperança do amanhã que vai chegar.
Mesmo insensível aos carinhos de uma flor
Eu sei que vou ser feliz
Ao desacreditar da frase amiga de alguém
Que mesmo sem saber qual o verdadeiro sentimento
Fala com suavidade sobre o amor e a amizade
Enquanto chora a perda do calor das mãos de alguém.
Acredito na certeza da felicidade que vem
Mesmo incapaz de amar alguém
Eu sei que vou viver feliz...
Ao sonhar a vida do meu jeito
Sem ligar para os defeitos que me deram
Deito no colo da árvore frondosa da alegria
Mas enquanto eu descanso alguém me cansa mais
E acredito no desejo imenso das crianças
Mesmo incapaz de acompanhar suas brincadeiras
Eu sei que vou feliz...


Léo Sarmento

Sempre


Sempre que uma flor desabrocha no jardim
A vida insiste em permanecer
Sempre que o pássaro exclama ao sol
A arte da natureza se mostra divina
Sempre que a sombra da árvore acolhe o solo
A calmaria acontece
Sempre que o forte vento assobia
A paz é transformada
Sempre que o sol aquece um olhar
A alegria desperta no ser total
Sempre que um sorriso surge no altar
A solidão desaparece
Sempre que eu chego e vejo você
A certeza da felicidade é imensa.

Permanecendo no tempo

Séculos e séculos passam e os sentimentos permanecem fortes e invioláveis
Porém, solitários
Anos e anos vêm e vão e a felicidade está cada dia mais perto
Porém, existe o medo de buscá-la
Os meses são poucos para a luta contra o abandono
Porém, nenhum ser deixa de vivê-los intensamente
As semanas são curtas quando se está na companhia da pessoa amada
Porém, cada dia vivido ao lado do grande amor será eternamente lembrado
Dias passam, momentos se vão e o amor e a amizade renascem em cada alvorecer
Porém, o homem ainda não os vê
Horas e horas dobram os sinos e a solidão permanece no coração inviolável do homem que amou
Porém, as lembranças continuam intactas
Os minutos voam e o desejo de vivê-los intensamente é totalmente barrado
Porém, a busca da liberdade exala o perfume da alma ansiosa
Os segundos soam no relógio sem pressa de formar minutos
Porém, corremos contra o tempo para vivermos de verdade a felicidade
“Tudo passa, somente o meu amor permanece para sempre”.

Infância


Toda vez que o sol desce sobre as colinas
No momento ardido de sol forte da tarde
Nasce o desejo do menino que dançou na chuva
Envolvendo a doçura da tarde em despedida
Toda vez que eu chego aqui
Ouço no ar o silêncio do vento
Na nuvem que passa solitária
Envolvendo-se à leveza da noite que vem
Toda risada que soa no campo
Com a rouquidão do galo que canta
Na alegria do dia e no cheiro do café
Sinto a saudade do meu tempo de criança.


Léo Sarmento

Saudade


Um vento frio que toca meu rosto
O verde-escuro da colina ao longe
O canto alegre do bem-te-vi na palmeira
Uma lágrima espontânea que desce solitária
As perguntas sem respostas sobre a cidade
Uma calça branca e um sorriso maroto
Saudade...
Conversas ao “pé do ouvido”
Sorrisos estampados num olhar profundo
Música serena como Emotion de Albinoni
Toque quente em pele úmida de desejo
Abraços fortes recheados de intenções
Perigo contido num beijo roubado
Saudade...
Parada de ônibus em plena madrugada
Friozinho na barriga após aquele toque esperado
Certeza de um primeiro beijo
Distância que nos separa
Certeza do querer bem... bem perto, sempre...
Saudade...


Léo Sarmento

Realidade


Era assim mesmo que eu te via
Calma, igual um pássaro a descansar
Cantando alegremente para o sol
Olhando ao redor, buscando novidades.
Sorridente, igual uma criança a brincar
Gritando palavras que só o coração sabe decifrar.
Estampando na tela humana, pinturas raríssimas.
Seu olhar, seu sorriso, sua pele, sua voz.
Seu corpo, seu cabelo, sua luz, sua cor.
Tela com obras pintadas com amor.
Calmaria, alegria!
Rapidez desejada!
O sonho é rápido! Amanhece logo o dia!
A alegria do sonho vem após o despertar.
Sonhei com você, ontem...
Foi mágico e rápido. Um passe de mágica.
Mas foi intenso, pois existe a certeza da real fantasia.
Fantasias...
Quantas penso em realizar com você.
Andar na praia à noite
Jantar à luz de velas
Fazer o seu prato predileto e apreciar o meu feito por você.
Tomar um bom vinho ao seu lado.
Falar de mim, ouvir você, sorrir, viajar, cantar...
Comemorar Páscoa, Natal, Ano Novo
Mesmo em datas diferentes... só que com você.
Ainda sonho, acordado.
Toda hora, todo minuto, todo segundo.
Você está presente, nunca ausente
Em meus pensamentos ou em meus sonhos?
Não sei... Sei apenas que hoje você é minha real alegria!
Minha real paixão!
Minha paz verdadeira!
Minha real fantasia!
Meu sonho real!


Léo Sarmento

Nós*


Se somos livres, por que não podemos amar?
Se somos fortes, por que deixamos de lutar?
Se somos belos, por que tememos o outro?
Se somos sensíveis, por que vivemos sofrendo?
Se somos homens, por que não podemos nos amar?
Se somos meninos, por que não podemos brincar?
Se somos inteligentes, por que ficamos calados?
Se somos felizes, por que não podemos sorrir?
Se somos amigos, por que não chorar com o outro?
Se somos assim, por que ficamos à margem?
Se somos militantes, por que não saímos às ruas?


Léo Sarmento

* Aos meus amigos de luta

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A uma grande poetisa


Tu mesma falaste, olhando ao redor
“Sou aquela louca que grita poemas nas esquinas”
sei o quanto é difícil ser um poeta
Às margens dos rios de sangue
Se ouvem murmúrios de poetas mortos
Não sangue, nem morte, mas letras vermelhas em folhas queimadas
Sim, somos loucos
Pois amamos as letras e delas criamos e fazemos história
Sim, somos loucos
Mas vivemos a vida e ela vive de nós
Nossos olhos são espelhos para as pessoas se olharem
Nossas bocas são como crianças que só choram
Nossos pés são ondas que nos fazem bêbados
Nossas mãos são sementes, que semeadas fazem brotar flores
Nossos poemas são flores que fazem brotar vidas
Nossas vidas são dores que se transformam em luzes
Essas luzes são olhos que um dia foram espelhos
Seja sempre essa louca que grita poemas aos à margem
Dos rios de sangue que são letras
E de morte que são folhas queimadas
A vida é poesia e a minha poesia é simplesmente, você!


Léo Sarmento

A busca certa


Qualquer hora dessas, o sol vai deixar de brilhar
Mas isso não importa, a lua brilhará dia e noite
Qualquer dia desses, as estrelas vão cair
Mas ninguém precisa ter medo
O oceano as receberá em suas águas
Algumas coisas costumam acontecer na hora errada
Outras coisas acontecem na hora exata
A sublimidade do ser humano
É capaz de tornar as coisas perfeitas
A paz interior de cada um e o desejo de busca
Influenciam o encontro
Mesmo que o encontro seja virtual ou imaginário
Sabemos que pode se tornar real
Por causa da sublimidade e da paz interior
E da busca da felicidade que cada ser tem dentro de si
Busco sem medo, encontro com medo
Sinto com desejo
Às vezes correr o risco de não encontrar
É melhor do que nem tentar procurar
Busquei e te encontrei
Ou foi você que me encontrou?
O que importa é que o destino é amigo dos homens
E os homens são amigos entre si
Mesmo que o destino se torne nosso inimigo
Nós jamais poderemos fazer o mesmo
Devemos continuar amando
Os amigos se amam... os verdadeiros
As estrelas nem vão mais cair
Nem o céu deixará de ter o brilho do sol
Nem as coisas erradas irão acontecer
Porque o amor e a amizade são maiores
Dominam o coração e o espaço
A busca foi verdadeira
E o verdadeiro sentido dessa busca é você que veio para ficar...


Léo Sarmento

Desabafo


Existe um problema
É loucura dizer que sou eu
Ou dizer que é você
O problema é outro
Não! Não é seu pai, nem...
O problema é outro
Não é o cachorro, ou o gato
O problema é outro
Não é o carro velho, ou a chave errada
O problema é outro
Nem é dinheiro, ou consumo
O problema é outro
Não são as drogas, nem o roubo... Será?
O problema é outro?
Sim, é muito mais sério
O problema meu amigo é a
HIPOCRISIA...

Léo Sarmento

Meu mundo vazio


Medo da chuva que cai em meu corpo
Molhado estou, cansado de tudo
Mesmo com chuva, forte e lenta
O meu corpo continua imundo
Como posso viver, sem o sexo sujo
Da prostituto e do prostituto
Amigo da chuva, menina, menino
Medo de tudo que pode vir após o prazer
Caindo, dormindo com um estranho
Que só quis e só me fez perder meus sonhos
Medo do nada, do vazio que vem depois
Medo do estranho que me deixou uns reais
Medo do sol que queima meu corpo
Suado estou, cansado de tudo
Mesmo com sol, forte e lento
O meu corpo continua frio e sujo.


Léo Sarmento

Busca incansável

Sensivelmente se sente na mente
No rosto ausente da pessoa feliz
A saudade da alegria que está manifestada
No medo de calar diante da estrada
Na luta da busca que nunca chega
Está a coragem de nunca parar.
O caminho confuso do submundo
É também confusão quando se chega no fim
Calados fiquemos diante da busca
Soluços incasáveis que nunca terminam
A felicidade jamais encontrei
Porque este mundo imundo parou
Mas... o mais uma vez virá alegrar
A vida deste submundo
Que é o coração do homem que esqueceu
Que a felicidade depende de si
Calado se sente no rosto do infeliz
A causa maior da busca sem luta
Pela felicidade que o homem não encontra...


Léo Sarmento

Já fiz muito...?


Já tive fome de muita comida
Já tive sede de beber da fonte
Já deitei em rede lá no monte
Já senti frio no sul
Já calei por medo
Já disse palavras em vão
Já crucifiquei alguns muitos cristos
Somente pra matar a fome de pão.
Já dancei forró no sertão
Já brinquei de futebol com paixão
Já visitei em sonhoso museu do Pelé
Já troquei reais por um dólar
Já comi o pão que o Betinho amassou
Já fui brasileiro e por isso sofri
Já fui sertanejo de pé no chão
Somente pra matar a fome de pão
Já deixei de sorri pra chorar
Já rezei em São José de Ribamar
Já dancei Bumba-Meu-Boi em Axixá
Já banhei meu corpo nas águas do mar
Já pisei na linha do Equador
Já fui jornalista, filósofo e criança
Já fiz muita gente cultivar o chão
Somente pra matar a fome do irmão...
Léo Sarmento

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